Estive, como há muito tempo, andando pelas ruas da minha cidade natal. Como sempre, muito pouca coisa muda hoje em dia sem que eu perceba; sem que de uma forma estranha, eu pense que está tudo de cabeça pra baixo, ainda que tudo esteja na mais perfeita ordem.
É estranho pra mim, talvez, notar uma certa harmonia nos fins de ano. E isso eu digo porque não é a primeira vez que uma cadeia de acontecimentos aparentemente me mostra alguma coisa. Me ensina alguma coisa. Se quem lê esse blog quer um “conselho de Reveillon” (risos), preste muita atenção nas coisas que te acontecem nos últimos dias do ano, e nos primeiros dias do novo ano. Elas quase sempre revelam que tipo de pessoas estarão com você nos meses que se seguirão, e que tipo de pessoas você deixará para trás. Preste atenção nas coisas que acontecem, com você e com as pessoas que você conhece.
Já me disseram que eu tenho a mania de ver sinais em tudo, mas acho uma coisa válida. É melhor do que deixar eles passarem...
Eu não vou ressaltar novamente a importância que têm as pequenas coisas, e tal... e olha que eu mesmo já ignorei muita coisa que não devia ter ignorado. Aliás, no fim de ano eu percebo isso com mais força também.
Absolutamente tudo se acentua nessa época: o que fizemos de errado, o que fizemos certo, o que esquecemos, o que devíamos ter esquecido... tudo.
Reflexões por aqui não iriam faltar... acho que temos a mania de pensar demais no fim, ainda que não seja um fim verdadeiro. Acho que é aqui que eu queria chegar (lol).
Temos a mania de considerar dezembro como o mês da nostalgia. Vemos a retrospectiva na TV e percebemos que estamos, como diria o Pink Floyd, “um dia mais próximos da morte” (música “Time”. Altamente recomendada por esse humilde fã). Essa sensação, além de normal, é altamente estúpida (poderia citar outros exemplos, mas gastaria muito o nosso tempo). Não há, absolutamente, diferença alguma entre a virada do ano e as outras dúzias de meias-noites (acho que o plural é assim) que passamos no decorrer do ano. Umas dormindo, outras acordados, esperando notícias, esperando o sono, esperando saber tudo amanhã na prova, e principalmente, acreditando que amanhã será um dia melhor que o dia de hoje. E é isso que faz com que a única diferença esteja na quantidade de dígitos que mudamos nas datas – agora a mudança mais rara acontece, e um daqueles números jamais voltará a ser escrito... Para a sofrida raça humana, então, há um fim e há então um início. Simbólico como os eclipses.
O que nós não sabemos (leia mil vezes essa frase aí atrás. Ela é estranha e poderosa, uma vez que se for cuidadosamente analisada não faz sentido algum... whatever) é que não existe nenhum fim e nenhum começo que nós não tenhamos escolhido por nós mesmos. Em qualquer período do ano, qualquer, podemos decidir começar denovo, podemos prometer sermos melhores, podemos esperar de amanhã as recompensas pelas sementes que plantamos hoje. Não há mudança no mundo que realmente importe. A mudança que importa acontece conosco, e ela não tem tempo e nem tem hora, é nossa escolha.
Então, eu insisto em abdicar da importância da data, e comemorar com amigos o “dia qualquer” que termina, e o novo que vai começar amanhã. Quando amanhã acabar, e a meia-noite voltar, então será exatamente como hoje, há meia-noite, quando desejo a todos vocês, que acompanham esse blog, que acompanham essa minha guerra e minha paz, e com quem compartilho um pouco das minhas idéias: Que amanhã seja um dia melhor que o dia de hoje, sempre. Essa é a fórmula para seguir em frente, sonhar nossos sonhos, e não ligar para falsos fins. Temos tantos pequenos começos verdadeiros pela frente...
Boa noite.
Cuidem-se.
Há coisas que eu penso. Há coisas que me dizem, e há coisas que eu vejo. Tudo isso não é nada além das variáveis da equação que me define como ser humano. Que tenta me explicar como alguém, como se isso fosse possível.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Eu ri de mim...
As nuvens negras cobrem a cidade onde eu nasci, como que sabendo que o tempo ainda é de guerra. Na verdade, é apenas uma nova batalha que se inicia.
Mesmo assim, já sinto o cheiro da grama molhada que trará a paz. Acho que os últimos generais morrem um a um.
Metáforas à parte, agora eu me reencontro com pessoas há muito tempo perdidas.
Se soubessem quantas pessoas perdi para sempre, e que desejava encontrar agora...
Mas, reiterando, não há nada como ouvir o que elas têm a lhe dizer - pessoas das quais você guarda segredos - e vê-las caindo numa breve ironia. Como quando você sabe o resultado de uma corrida, e vê as pessoas, distraídas, torcendo para o perdedor (com uma fé tão verdadeira!), ou mesmo sofrendo exaustivamente pela vitória daquele que você, e só você, conhece como o dono legítimo do prêmio. É divertido, pra mim, observar essas coisas acontecendo. Mergulhar no doce mel do saber solitário, do rir com ninguém da piada que, mesmo se quisesse, jamais poderia explicar a mais ninguém. É como saber algo humanamente impossível. Ser o portador de um conhecimento apenas fornecido àquele que tenha vivido a sua vida individual, cada segundo dela, objetiva e subjetiva.
Como disse em postagens anteriores, o nosso caráter depende das pessoas das quais nos despedimos. E agora adiciono: "Aquilo que só nós mesmos somos capazes de compreender é o que temos de mais verdadeiro."
Aquele episódio se foi, e eu vou me lembrar pra sempre do que aquela pessoa me disse. E quando o resultado dessa batalha finalmente for conhecido, eu direi a ela que eu já sabia.
Mesmo assim, já sinto o cheiro da grama molhada que trará a paz. Acho que os últimos generais morrem um a um.
Metáforas à parte, agora eu me reencontro com pessoas há muito tempo perdidas.
Se soubessem quantas pessoas perdi para sempre, e que desejava encontrar agora...
Mas, reiterando, não há nada como ouvir o que elas têm a lhe dizer - pessoas das quais você guarda segredos - e vê-las caindo numa breve ironia. Como quando você sabe o resultado de uma corrida, e vê as pessoas, distraídas, torcendo para o perdedor (com uma fé tão verdadeira!), ou mesmo sofrendo exaustivamente pela vitória daquele que você, e só você, conhece como o dono legítimo do prêmio. É divertido, pra mim, observar essas coisas acontecendo. Mergulhar no doce mel do saber solitário, do rir com ninguém da piada que, mesmo se quisesse, jamais poderia explicar a mais ninguém. É como saber algo humanamente impossível. Ser o portador de um conhecimento apenas fornecido àquele que tenha vivido a sua vida individual, cada segundo dela, objetiva e subjetiva.
Como disse em postagens anteriores, o nosso caráter depende das pessoas das quais nos despedimos. E agora adiciono: "Aquilo que só nós mesmos somos capazes de compreender é o que temos de mais verdadeiro."
Aquele episódio se foi, e eu vou me lembrar pra sempre do que aquela pessoa me disse. E quando o resultado dessa batalha finalmente for conhecido, eu direi a ela que eu já sabia.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Dois futuros
Ontem encontrei uma velha anotação no meu caderno de Cálculo do primeiro período. Foi em maio de 2006, eu acho, que escrevi:
"Não é estranho? Apesar das vidas que levamos, e dos rumos que tomamos, as ondas continuam a bater numa praia, lá longe de mim.
Eu não deixo de pensar no que aconteceria caso eu simplesmente não tivesse tomado certas decisões, ou como minha vida seria se eu optasse por uma escolha diferente... e, às vezes, me assusto ao pensar que, qualquer dia, alguém vai aparecer e dirá que tomou exatamente o rumo que eu não quis, e me dirá como é. A única coisa com o qual tenho o luxo de aprender é o meu passado - é com aquilo que se foi -, mas não nego a evidência da chance de que eu possa aprender com o meu futuro que nunca existiu! Saber o que eu seria hoje se eu não fosse eu! Um dia, talvez, meu 'futuro alternativo' há de me encontrar, há de me contar o que aconteceria se eu não tivesse escolhido me exilar, ao invés de lutar. Há de me contar o que aconteceria se eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, só para poder lutar pelo que eu amo."
Isso foi escrito, com certeza, nos primeiros seis meses do exílio. E é só assim que eu pude notar o quanto ele me mudou. Do que eu era antes, para o que sou agora.
Passei a ver esse exílio, não como algo ruim, mas algo que tem construído meu caráter desde então, e principalmente, que tem me mostrado que os vencedores são aqueles que não cometem o mesmo erro. Nesses dois anos o meu "futuro alternativo" me encontrou pra me dizer que aquilo que eu amava vai nascer, viver e morrer no único lugar para onde eu não vou voltar. Acho que isso explica muita coisa...
"Não é estranho? Apesar das vidas que levamos, e dos rumos que tomamos, as ondas continuam a bater numa praia, lá longe de mim.
Eu não deixo de pensar no que aconteceria caso eu simplesmente não tivesse tomado certas decisões, ou como minha vida seria se eu optasse por uma escolha diferente... e, às vezes, me assusto ao pensar que, qualquer dia, alguém vai aparecer e dirá que tomou exatamente o rumo que eu não quis, e me dirá como é. A única coisa com o qual tenho o luxo de aprender é o meu passado - é com aquilo que se foi -, mas não nego a evidência da chance de que eu possa aprender com o meu futuro que nunca existiu! Saber o que eu seria hoje se eu não fosse eu! Um dia, talvez, meu 'futuro alternativo' há de me encontrar, há de me contar o que aconteceria se eu não tivesse escolhido me exilar, ao invés de lutar. Há de me contar o que aconteceria se eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, só para poder lutar pelo que eu amo."
Isso foi escrito, com certeza, nos primeiros seis meses do exílio. E é só assim que eu pude notar o quanto ele me mudou. Do que eu era antes, para o que sou agora.
Passei a ver esse exílio, não como algo ruim, mas algo que tem construído meu caráter desde então, e principalmente, que tem me mostrado que os vencedores são aqueles que não cometem o mesmo erro. Nesses dois anos o meu "futuro alternativo" me encontrou pra me dizer que aquilo que eu amava vai nascer, viver e morrer no único lugar para onde eu não vou voltar. Acho que isso explica muita coisa...
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
As Pessoas das Quais nos Despedimos
As coisas aqui parecem ter tomado rumos quase que definitivos.
O sol não é mais o mesmo, as pessoas não são mais as mesmas. Deixamos pra trás o espírito do novo e demos lugar a uma sadia nostalgia. Sentimos saudade do que ainda estamos vivendo... logo, logo, as coisas mudam denovo.
Triste isso... mas do que a despedida, a expectativa.
E feliz também, que de maneira estranha, fizemos tudo aquilo que era necessário para viver - outra fase há de acabar, e uma nova começa - e a vida se tornará um conjunto de imensas despedidas. "Quem nos faz ser o que somos são as pessoas das quais nos despedimos."
De todas as pessoas, as que vejo ao meu lado (direta ou indiretamente), são as que merecem minha dedicação, e quando não houver mais contribuições a dar, às nossas mentes e aos nossos corações (para aqueles que têm um), então será a hora de se despedir bem. E enquanto isso, nada me alegra mais do que viver a mesma vida, melhor à cada dia. A vida lá fora, ao que parece, me chama denovo. E eu estou distante de tudo, ainda.
E enquanto eu não me rendo às discussões sem fim, enquanto eu não me torno parte de um sistema que apenas discute as questôes relativas à vida, sem sequer propor verdadeiras soluções, vou me sentindo cada vez mais despregado desse exílio. Aos poucos, sinto que volto pra casa...
O sol não é mais o mesmo, as pessoas não são mais as mesmas. Deixamos pra trás o espírito do novo e demos lugar a uma sadia nostalgia. Sentimos saudade do que ainda estamos vivendo... logo, logo, as coisas mudam denovo.
Triste isso... mas do que a despedida, a expectativa.
E feliz também, que de maneira estranha, fizemos tudo aquilo que era necessário para viver - outra fase há de acabar, e uma nova começa - e a vida se tornará um conjunto de imensas despedidas. "Quem nos faz ser o que somos são as pessoas das quais nos despedimos."
De todas as pessoas, as que vejo ao meu lado (direta ou indiretamente), são as que merecem minha dedicação, e quando não houver mais contribuições a dar, às nossas mentes e aos nossos corações (para aqueles que têm um), então será a hora de se despedir bem. E enquanto isso, nada me alegra mais do que viver a mesma vida, melhor à cada dia. A vida lá fora, ao que parece, me chama denovo. E eu estou distante de tudo, ainda.
E enquanto eu não me rendo às discussões sem fim, enquanto eu não me torno parte de um sistema que apenas discute as questôes relativas à vida, sem sequer propor verdadeiras soluções, vou me sentindo cada vez mais despregado desse exílio. Aos poucos, sinto que volto pra casa...
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Otimismo, Cafunés e Chibatadas
Essa semana que passou, de fato, foi de guerra.
O sol, os prédios, as pessoas... as coisas que tornam meu trabalho difícil.
É como diria Yoshiyuki Sadamoto: "Parece que a cada cafuné que eu recebo, também recebo mil chibatadas. Só que se não fossem as chibatadas, esse cafuné não seria nada."
A discussão a que quero me adentrar hoje (e que acho que provavelmente farei comigo mesmo...) é sobre o otimismo.
Esse assunto me veio derepente, no meio de uma apresentação de trabalho, ontem.
Onde podemos encontrar otimismo? Qual é a variável que, no início do dia, estabelece o nosso estado de espírito? É uma coisa louca. Um dia você pensa que pode com tudo, e que não importa o quanto as situações adversas apareçam - e elas aparecem -, nada pode estragar o dia maravilhoso que você planejou de antemão.
Embora essa seja uma discussão mais profunda, estou certo de que não chegaríamos à conclusão nenhuma, e é isso o que a torna válida! Todo argumento relativo a ela seria completamente vago, mas isso não é uma falha, e sim uma vantagem do argumento.
Mesmo assim, descrevo minha visão do assunto:
De forma estranha, sinto que temos é que nos esforçar para encontrar nosso otimismo em alguma coisa, não que nos mostre o caminho, mas que nos mostre que caminhar é divertido. Afixar no todo aquilo que sentimos individualmente (para os que sentem, obviamente), e refletir isso em nossas atidudes e, principalmente, na forma que captamos e reconhecemos esse mesmo todo, como o lugar onde podemos ser parte ativa na construção de um futuro. Saberemos, então, reconhecer nas pequenas coisas a beleza. Saberemos lutar pelas nossas aspirações e superar as adversidades com otimismo.
O sol, os prédios, as pessoas... as coisas que tornam meu trabalho difícil.
É como diria Yoshiyuki Sadamoto: "Parece que a cada cafuné que eu recebo, também recebo mil chibatadas. Só que se não fossem as chibatadas, esse cafuné não seria nada."
A discussão a que quero me adentrar hoje (e que acho que provavelmente farei comigo mesmo...) é sobre o otimismo.
Esse assunto me veio derepente, no meio de uma apresentação de trabalho, ontem.
Onde podemos encontrar otimismo? Qual é a variável que, no início do dia, estabelece o nosso estado de espírito? É uma coisa louca. Um dia você pensa que pode com tudo, e que não importa o quanto as situações adversas apareçam - e elas aparecem -, nada pode estragar o dia maravilhoso que você planejou de antemão.
Embora essa seja uma discussão mais profunda, estou certo de que não chegaríamos à conclusão nenhuma, e é isso o que a torna válida! Todo argumento relativo a ela seria completamente vago, mas isso não é uma falha, e sim uma vantagem do argumento.
Mesmo assim, descrevo minha visão do assunto:
De forma estranha, sinto que temos é que nos esforçar para encontrar nosso otimismo em alguma coisa, não que nos mostre o caminho, mas que nos mostre que caminhar é divertido. Afixar no todo aquilo que sentimos individualmente (para os que sentem, obviamente), e refletir isso em nossas atidudes e, principalmente, na forma que captamos e reconhecemos esse mesmo todo, como o lugar onde podemos ser parte ativa na construção de um futuro. Saberemos, então, reconhecer nas pequenas coisas a beleza. Saberemos lutar pelas nossas aspirações e superar as adversidades com otimismo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
"Ternura inútil, mas ternura..."
"...conselhos inúteis, mas amigos."
Não resisti, e novamente comecei a ler o clássico Terra dos Homens, de Exupéry. E, relendo, ía relembrando as definições que ele propunha sobre o que é ser humano. Em uma das passagens mais emocionantes, dizia ele que o avião de seu amigo Guillaumet havia caído nos Andes, em pleno inverno. Já passada uma semana, todos tinham esperança de encontrar apenas seu corpo, quando ele surge vivo! Guillaumet, nesses dias entre a neve e as montanhas, havia batalhado contra a própria morte, pois segundo ele "o que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, seria capaz de fazer." Ele sobreviveu ao frio e à fome por se sentir responsável pelos que o esperavam. Pela sua esposa, seu filho, seus amigos. Bichos não poderiam sentir tal coisa, o que justifica a sua frase. Segundo Exupéry, essa sentença é aquela que coloca o homem em seu lugar de direito na natureza, que o define como um ser superior: a capacidade de se sentir responsável.
Acho que leria quantas vezes eu pudesse, muito embora agora eu já não tenha mais tanto tempo disponível assim. Aliás, eu tenho achado inclusive que tenho escrito com uma frequência além da permitida para o meu estado atual.
Acho que não sei quando volto a escrever agora, por isso deixo a minha recomendação:
Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry: um livro que transcende o tempo, e nós traz ótimas lições de como é ser humano, e ao mesmo tempo especial entre eles.
Um trechinho:
"Só há um luxo verdadeiro: o das relações humanas.
Trabalhando só pelos bens materiais construímos nós mesmos a nossa prisão. Encerramo-nos lá dentro, solitários, com a nossa moeda cor de cinza que não pode ser trocada por coisa alguma que valha a pena viver. Se procuro entre minhas lembranças as que me deixam gosto mais durável, se faço balanço das horas que valerem a pena, certamente só encontro aqueles que nenhuma fortuna do mundo ter-me-ia presenteado.
Não se compra a amizade de (...) um companheiro a que estamos ligados para sempre pelas provas sofridas juntos. Esta noite de vôo e suas 100 mil estrelas, esta soberania de algumas horas, o dinheiro não compra. Estas árvores, estas flores, estas mulheres, estes sorrisos docemente coloridos pela vida a que regressamos de madrugada, este mundo de pequenas coisas que nos recompensam, o dinheiro não compra."
Não resisti, e novamente comecei a ler o clássico Terra dos Homens, de Exupéry. E, relendo, ía relembrando as definições que ele propunha sobre o que é ser humano. Em uma das passagens mais emocionantes, dizia ele que o avião de seu amigo Guillaumet havia caído nos Andes, em pleno inverno. Já passada uma semana, todos tinham esperança de encontrar apenas seu corpo, quando ele surge vivo! Guillaumet, nesses dias entre a neve e as montanhas, havia batalhado contra a própria morte, pois segundo ele "o que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem, seria capaz de fazer." Ele sobreviveu ao frio e à fome por se sentir responsável pelos que o esperavam. Pela sua esposa, seu filho, seus amigos. Bichos não poderiam sentir tal coisa, o que justifica a sua frase. Segundo Exupéry, essa sentença é aquela que coloca o homem em seu lugar de direito na natureza, que o define como um ser superior: a capacidade de se sentir responsável.
Acho que leria quantas vezes eu pudesse, muito embora agora eu já não tenha mais tanto tempo disponível assim. Aliás, eu tenho achado inclusive que tenho escrito com uma frequência além da permitida para o meu estado atual.
Acho que não sei quando volto a escrever agora, por isso deixo a minha recomendação:
Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry: um livro que transcende o tempo, e nós traz ótimas lições de como é ser humano, e ao mesmo tempo especial entre eles.
Um trechinho:
"Só há um luxo verdadeiro: o das relações humanas.
Trabalhando só pelos bens materiais construímos nós mesmos a nossa prisão. Encerramo-nos lá dentro, solitários, com a nossa moeda cor de cinza que não pode ser trocada por coisa alguma que valha a pena viver. Se procuro entre minhas lembranças as que me deixam gosto mais durável, se faço balanço das horas que valerem a pena, certamente só encontro aqueles que nenhuma fortuna do mundo ter-me-ia presenteado.
Não se compra a amizade de (...) um companheiro a que estamos ligados para sempre pelas provas sofridas juntos. Esta noite de vôo e suas 100 mil estrelas, esta soberania de algumas horas, o dinheiro não compra. Estas árvores, estas flores, estas mulheres, estes sorrisos docemente coloridos pela vida a que regressamos de madrugada, este mundo de pequenas coisas que nos recompensam, o dinheiro não compra."
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Essa terça...
Eu ainda não entendi qual é a das terças-feiras.
É realmente o dia em que eu fico mais folgado, e também o dia em que eu menos faço as coisas, o que consequentemente faz minha folga aumentar, e por sua vez reduz minha atividade... ainda bem que o dia só tem 24 horas, senão isso seria um ciclo infinito até eu começar a vegetar. E minha vegetação não seria tão verde.
Acho que um dos motivos pelo qual eu abomino as terças, é que ela me faz pensar. E pensar é uma coisa tão monótona... Ninguém se diverte pensando, só por pensar.
Grande mal necessário.
Pois é, eles existem realmente.
Mas voltando ao tema do post, essa terça-feira me balançou de verdade.
O curso de Física continua difícil, eu ainda não suporto multidões e ando trabalhando demais, mas dessa vez eu me perguntei o porquê.
Tudo o que eu faço, faço por um motivo, e isso já deixei bem claro.
Se me esforço pra ser alguém, em parte devo a um pacto (ver. "Um pacto pela Eternidade"), e se hoje eu não penso em mais nada, é porque ou eu simplesmente já me acostumei a viver assim, ou porque simplesmente não tenho terças-feiras suficientes.
Dessa vez, acho que tenho medo de que, quando esse exílio acabar, eu não me recorde mais de como é não ser sozinho - eu não tenha mais motivo, ou até talvez coragem, de precisar de alguém denovo. Mas ainda assim, eu durmo à noite.
Qual seria então meu caráter? Quais seriam as vantagens pra mim em continuar sendo estupidamente humano?
O nosso caráter provém do nosso senso de retidão, de nunca deixar de ser o que nos propomos a ser, ainda que isso não seja necessário. É isso o que eu sei, e é no que devo acreditar.
Eu me proponho a estar com as pessoas, ao final do exílio, ainda que isso não seja necessário.
Pelo menos até a meia-noite.
É realmente o dia em que eu fico mais folgado, e também o dia em que eu menos faço as coisas, o que consequentemente faz minha folga aumentar, e por sua vez reduz minha atividade... ainda bem que o dia só tem 24 horas, senão isso seria um ciclo infinito até eu começar a vegetar. E minha vegetação não seria tão verde.
Acho que um dos motivos pelo qual eu abomino as terças, é que ela me faz pensar. E pensar é uma coisa tão monótona... Ninguém se diverte pensando, só por pensar.
Grande mal necessário.
Pois é, eles existem realmente.
Mas voltando ao tema do post, essa terça-feira me balançou de verdade.
O curso de Física continua difícil, eu ainda não suporto multidões e ando trabalhando demais, mas dessa vez eu me perguntei o porquê.
Tudo o que eu faço, faço por um motivo, e isso já deixei bem claro.
Se me esforço pra ser alguém, em parte devo a um pacto (ver. "Um pacto pela Eternidade"), e se hoje eu não penso em mais nada, é porque ou eu simplesmente já me acostumei a viver assim, ou porque simplesmente não tenho terças-feiras suficientes.
Dessa vez, acho que tenho medo de que, quando esse exílio acabar, eu não me recorde mais de como é não ser sozinho - eu não tenha mais motivo, ou até talvez coragem, de precisar de alguém denovo. Mas ainda assim, eu durmo à noite.
Qual seria então meu caráter? Quais seriam as vantagens pra mim em continuar sendo estupidamente humano?
O nosso caráter provém do nosso senso de retidão, de nunca deixar de ser o que nos propomos a ser, ainda que isso não seja necessário. É isso o que eu sei, e é no que devo acreditar.
Eu me proponho a estar com as pessoas, ao final do exílio, ainda que isso não seja necessário.
Pelo menos até a meia-noite.
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