Sempre venho ressaltando aqui a importância que eu dou a certos acontecimentos insignificantes. Pois é, pensando nisso, me pus à caminho, nos mês de janeiro, de lugares que há muito tempo não visitava. Lugares que fizeram parte da minha infância querida e que, aos poucos, foram ficando cada vez mais reservados à minha memória.
A nossa memória, muitas vezes, é um lugar obscuro demais.
Quando você liga lugares a acontecimentos, é isso o que acontece: visitar lugares acaba sendo reviver acontecimentos, e reviver acontecimentos, vocês hão de concordar, é relembrar aquilo que se sente. Mas, bem, não foi assim pra mim. Existia um fator com o qual eu não contava - eu não sou, nem de perto, a pessoa que eu era quando aquelas coisas haviam acontecido, na primeira vez em que estava naqueles lugares, na primeira vez que as coisas aconteceram. E, de repente, aquilo que eu era incapaz de sentir há tanto tempo atrás me invadiu, e a coragem que tantas nobres almas tentaram me ensinar, no tempo que liga o que eu era ao que eu sou, finalmente encontrou seu lugar. E a soma dessas coisas, das várias experiências que eu voltei a viver, visitando lugares familiares, me melhorou aos poucos; me fez enxergar coisas que eu não enxergava, e fez meu passado ainda mais completo.
Existem coisas nesse mundo, eu sei, que jamais poderei explicar, e que jamais poderei mudar, mas ver essas coisas de todos os ângulos possíveis te consola, te mostra o quanto esse irremediável é benéfico para o seu crescimento, e depois de tudo eu percebi que um bom trabalho foi feito, ao longo dos anos. As vidas que eu não salvei, e o coração que eu acabei devolvendo no processo, estão em boas mãos; ainda assim vou pegá-lo de volta, e pular na frente dessa carreta...
Há coisas que eu penso. Há coisas que me dizem, e há coisas que eu vejo. Tudo isso não é nada além das variáveis da equação que me define como ser humano. Que tenta me explicar como alguém, como se isso fosse possível.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Cem
Mês de janeiro não é meu mês de férias, mas todo mundo sabe o quanto eu sou ruim com compromissos...
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Centros de Convergência
Vencemos mais um ano, e essa é finalmente a última postagem de 2010.
Geralmente é nessa época que encontramos os momentos que concentram a maior importância, aqueles pelos quais lutamos durante os últimos (quase) 365 dias. Eu posso dizer que, pra mim, esse finzinho de 2010 possui uma importância ainda maior, já que nesses últimos dias, e nos próximos dias, estão concentrados os momentos pelos quais eu lutei há cinco anos.
Eu finalmente parei pra pensar, esses dias, que encontrei meu centro de convergência, o nó essencial onde todos os caminhos se interligam. Nessa atmosfera de calor e otimismo, vou fazer as últimas matérias do meu curso de Física na UFV, vou consertar os últimos erros que ainda faltam, e muito em breve, espero, essa Guerra deve finalmente terminar - meu exílio se torna de minha escola em minha felicidade. Acho que é isso que importa, pra qualquer pessoa do mundo: encontrar aquilo pelo qual se luta sem saber, e sem esperar. É ver as coisas começarem a dar certo, ver o grande sistema do mundo começar a nos recompensar pelos nossos esforços. No meu caso, devo dizer, o mundo não precisou mudar - eu precisei.
E tudo consiste em encontrarmos nossos centros de convergência, a meta que traçamos em tempos longínquos. Foi só durante esse ano que eu aprendi como se deve fazer isso. Deixei grande parte da minha insegurança de lado, me preocupei em descobrir o que as pessoas tem a me oferecer e o que elas realmente são, ao invés de simplesmente bolar inúmeras teorias sobre o que está acontecendo lá fora, longe dos meus olhos. Em seguida, vem a parte mais difícil: me permitir ter aquilo que eu quero. Se eu vou levar uma lição preciosa desse ano, é essa: Devemos lutar por aquilo que queremos - não vale a pena ter nada sem esforço.
Então fica aqui a minha recomendação, para os desavisados da passagem da data, que com certeza verei denovo quando os números mudarem: "Muito daquilo que acontece não pode ser revertido, e isso é suficiente pra que a gente perca muita coisa, suficiente pra que a gente fique pelo caminho em certos objetivos. Só que apenas ações são capazes de reverter ações. Um dia após o outro, seja ele no início, no meio ou no fim do ano, nossos sonhos voltam pra casa, chegam aos nossos centros de convergência; é só não esquecer deles. É só lutar por eles."
Boas festas.
Geralmente é nessa época que encontramos os momentos que concentram a maior importância, aqueles pelos quais lutamos durante os últimos (quase) 365 dias. Eu posso dizer que, pra mim, esse finzinho de 2010 possui uma importância ainda maior, já que nesses últimos dias, e nos próximos dias, estão concentrados os momentos pelos quais eu lutei há cinco anos.
Eu finalmente parei pra pensar, esses dias, que encontrei meu centro de convergência, o nó essencial onde todos os caminhos se interligam. Nessa atmosfera de calor e otimismo, vou fazer as últimas matérias do meu curso de Física na UFV, vou consertar os últimos erros que ainda faltam, e muito em breve, espero, essa Guerra deve finalmente terminar - meu exílio se torna de minha escola em minha felicidade. Acho que é isso que importa, pra qualquer pessoa do mundo: encontrar aquilo pelo qual se luta sem saber, e sem esperar. É ver as coisas começarem a dar certo, ver o grande sistema do mundo começar a nos recompensar pelos nossos esforços. No meu caso, devo dizer, o mundo não precisou mudar - eu precisei.
E tudo consiste em encontrarmos nossos centros de convergência, a meta que traçamos em tempos longínquos. Foi só durante esse ano que eu aprendi como se deve fazer isso. Deixei grande parte da minha insegurança de lado, me preocupei em descobrir o que as pessoas tem a me oferecer e o que elas realmente são, ao invés de simplesmente bolar inúmeras teorias sobre o que está acontecendo lá fora, longe dos meus olhos. Em seguida, vem a parte mais difícil: me permitir ter aquilo que eu quero. Se eu vou levar uma lição preciosa desse ano, é essa: Devemos lutar por aquilo que queremos - não vale a pena ter nada sem esforço.
Então fica aqui a minha recomendação, para os desavisados da passagem da data, que com certeza verei denovo quando os números mudarem: "Muito daquilo que acontece não pode ser revertido, e isso é suficiente pra que a gente perca muita coisa, suficiente pra que a gente fique pelo caminho em certos objetivos. Só que apenas ações são capazes de reverter ações. Um dia após o outro, seja ele no início, no meio ou no fim do ano, nossos sonhos voltam pra casa, chegam aos nossos centros de convergência; é só não esquecer deles. É só lutar por eles."
Boas festas.
sábado, 18 de dezembro de 2010
"Ele vai lutar pela sua confiança."
Dizem que confiança não se compra, se conquista. Isso, a meu ver, é bem verdade.
Se bem que devo ressaltar que confiança é algo muito relativo. Em grande parte das nossas ações, a gente não pensa muito nisso. Normalmente a confiança que passamos é algo automático, com o qual não nos importamos até o momento em que falhamos. É como o seu dedo mindinho, do qual você só lembra quando dói. Enfim, confiança sempre foi um problema pra muita gente que eu conheci, eu mesmo já deixei claro que não sou confiável com alguns compromissos, e muitas vezes as pessoas têm que me cobrar as coisas. Mas a confiança que eu considero mais importante não é aquela sobre atos, é sobre as palavras. Pois veja, qualquer pessoa pode falar qualquer coisa, mas atos são imutáveis, irreversíveis e irrevogáveis - eles são a essência do que são.
Confiar no que uma pessoa faz é muito fácil, mas compreender que o que ela diz é aquilo que corresponde à sua verdade, é aquilo na qual ela se inspira para suas ações, é um exercício que exite prática, tempo, e principalmente, um registro intocável. É um teto de vidro, que é substituido por uma laje de cimento assim que a primeira pedra cai.
Tem gente por aí que não confia muito em mim, embora já tenham confiado. Mas além de dar toda razão, eu busco cada vez mais uma forma de ganhar essa confiança novamente. Ninguém pode evitar cometer atos desastrosos, que corrompem e destróem laços tão frágeis, por trás das montanhas que construirmos para nos protejer de tudo o que tem por aí, mas eu acredito que sempre há tempo para retomar um elo perdido.
Hoje em dia os laços verdadeiros são tão raros, não podemos nos dar ao luxo de perdê-los. Mais do que nunca, creio que todo sacrifício vale à pena.
Se bem que devo ressaltar que confiança é algo muito relativo. Em grande parte das nossas ações, a gente não pensa muito nisso. Normalmente a confiança que passamos é algo automático, com o qual não nos importamos até o momento em que falhamos. É como o seu dedo mindinho, do qual você só lembra quando dói. Enfim, confiança sempre foi um problema pra muita gente que eu conheci, eu mesmo já deixei claro que não sou confiável com alguns compromissos, e muitas vezes as pessoas têm que me cobrar as coisas. Mas a confiança que eu considero mais importante não é aquela sobre atos, é sobre as palavras. Pois veja, qualquer pessoa pode falar qualquer coisa, mas atos são imutáveis, irreversíveis e irrevogáveis - eles são a essência do que são.
Confiar no que uma pessoa faz é muito fácil, mas compreender que o que ela diz é aquilo que corresponde à sua verdade, é aquilo na qual ela se inspira para suas ações, é um exercício que exite prática, tempo, e principalmente, um registro intocável. É um teto de vidro, que é substituido por uma laje de cimento assim que a primeira pedra cai.
Tem gente por aí que não confia muito em mim, embora já tenham confiado. Mas além de dar toda razão, eu busco cada vez mais uma forma de ganhar essa confiança novamente. Ninguém pode evitar cometer atos desastrosos, que corrompem e destróem laços tão frágeis, por trás das montanhas que construirmos para nos protejer de tudo o que tem por aí, mas eu acredito que sempre há tempo para retomar um elo perdido.
Hoje em dia os laços verdadeiros são tão raros, não podemos nos dar ao luxo de perdê-los. Mais do que nunca, creio que todo sacrifício vale à pena.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A Paz Acabou
Novembro costuma se um mês doído para a maioria dos estudantes de Física do planeta. Se você me acompanha e não faz Física, sinta-se um afortunado nesse mês. Todas as suas obrigações mais importantes se concentram num mísero intervalo de trinta dias, e isso é tudo o que você tem.
Novembro também é o mês das chuvas eternas, daquelas que ainda não são rápidas como as de verão, e se estendem com facilidade pela tarde inteira. Vou contar, então, uma história de novembro. Há quem lembre que faz um ano que estou vivendo nas nuvens, numa nova realidade meio que enfiada garganta abaixo. Ás vezes, no fundo no fundo, eu sinto saudade de voltar a reta da UFV sozinho, e vendo a árvore de natal sendo posta boiando na lagoa, ano após ano; naquele velho tempo em que sempre tinha alguém pra eu xingar, que eu não xingava.
No penúltimo mês do ano passado, eu não tinha tempo pra nada (isso não mudou muito), e nem era tanto a chuva que me segurava no departamento de Física, mas os exercícios. Mas, naquela época, eu ainda recebia visitas frequentes (uma por mês, aliás) de uma grande amiga, com quem dividia algumas experiências de aprendizado, e com quem, às vezes, me irritava profundamente. Era tudo, na verdade, parte do aprendizado. A gente tem que aprender a se irritar com os outros.
Um dia estávamos nós, voltando pela reta da UFV, e nos deparamos com um pessoal oferecendo cartões de crédito, se eu não me engano, do Itaú. Naquela época, isso era muito comum. Como de costume, aquela pessoa te aborda com um sorriso de orelha a orelha, e te pede pra preencher um cadastro. Eu olhei bem pra pessoa, abri um sorriso desgraçadamente grande e disse que já tinha o cartão, que era ótimo, e que ela também deveria fazer um. A conversa mudou completamente de lado, e por uns 30 segundos, era eu quem estava vendendo um produto que não tinha. Obviamente não fiquei muito tempo ali, tinha mais o que fazer.
Aquela foi a primeira vez que usei meus poderes para o mal. Ela me lembra disso até hoje, e eu me lembro do mês de novembro como o mês em que minha Guerra começou a terminar.
Está terminando até hoje.
Novembro também é o mês das chuvas eternas, daquelas que ainda não são rápidas como as de verão, e se estendem com facilidade pela tarde inteira. Vou contar, então, uma história de novembro. Há quem lembre que faz um ano que estou vivendo nas nuvens, numa nova realidade meio que enfiada garganta abaixo. Ás vezes, no fundo no fundo, eu sinto saudade de voltar a reta da UFV sozinho, e vendo a árvore de natal sendo posta boiando na lagoa, ano após ano; naquele velho tempo em que sempre tinha alguém pra eu xingar, que eu não xingava.
No penúltimo mês do ano passado, eu não tinha tempo pra nada (isso não mudou muito), e nem era tanto a chuva que me segurava no departamento de Física, mas os exercícios. Mas, naquela época, eu ainda recebia visitas frequentes (uma por mês, aliás) de uma grande amiga, com quem dividia algumas experiências de aprendizado, e com quem, às vezes, me irritava profundamente. Era tudo, na verdade, parte do aprendizado. A gente tem que aprender a se irritar com os outros.
Um dia estávamos nós, voltando pela reta da UFV, e nos deparamos com um pessoal oferecendo cartões de crédito, se eu não me engano, do Itaú. Naquela época, isso era muito comum. Como de costume, aquela pessoa te aborda com um sorriso de orelha a orelha, e te pede pra preencher um cadastro. Eu olhei bem pra pessoa, abri um sorriso desgraçadamente grande e disse que já tinha o cartão, que era ótimo, e que ela também deveria fazer um. A conversa mudou completamente de lado, e por uns 30 segundos, era eu quem estava vendendo um produto que não tinha. Obviamente não fiquei muito tempo ali, tinha mais o que fazer.
Aquela foi a primeira vez que usei meus poderes para o mal. Ela me lembra disso até hoje, e eu me lembro do mês de novembro como o mês em que minha Guerra começou a terminar.
Está terminando até hoje.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Aproveitando a Invisibilidade
Não estar em lugar nenhum é um privilégio que todos deviam ter em algum momento. É quando você olha pro lado e sabe que, se você fizer qualquer coisa inexperada, ninguém jamais vai ficar sabendo. Não que você esteja sozinho, mas apenas rodeado de desconhecidos. Desconhecidos que não se importam.
Essa semana choveu muito, e quando eu digo chover, não quero dizer só aquela água que cai do céu de repente e molha todo mundo, pra depois deixar o sol torrar o que sobrou. Eu quero dizer também que choveram críticas profundas e precisas a mim, e isso foi um salto gigantesco para o meu amadurecimento. Eu podia citar algumas aqui, mas vou me concentrar na mais importante: descobri que tenho medo de perder.
Provavelmente já ouviram falar em alguém que é mau perdedor. Pois é, não é esse meu problema. Meu problema é que eu não entro numa luta onde tenho dúvidas. Nunca realmente tentei alguma coisa por instinto. Eu sou um bom perdedor, só não gosto de ser.
Isso veio completar o "você não luta por aquilo que quer" na minha galeria de coisas a mudar, como se um se somasse ao outro. Mas como eu posso mudar isso? Daí é que veio a idéia que deu título a essa postagem.
Aproveitar a invisibilidade.
Não estar em lugar nenhum significa poder arriscar nada, e não ganhar nada. Significa que, o teste final é apenas se eu arrisco ou não, sem essa de erro e acerto, e isso é tudo o que eu preciso agora. Aprender a arriscar algumas coisas que não tenho certeza absoluta se darão certo, coisas que, por si só, não significam nada. Depois chegará a hora de mudar para aquilo que realmente importa, e eu vou lutar por aquilo que eu quero, sem medo de perder.
"Se você não faz nada pra mudar, de que adianta receber crítica?"
Algumas pessoas continuam a me surpreender por sua maturidade.
Essa semana choveu muito, e quando eu digo chover, não quero dizer só aquela água que cai do céu de repente e molha todo mundo, pra depois deixar o sol torrar o que sobrou. Eu quero dizer também que choveram críticas profundas e precisas a mim, e isso foi um salto gigantesco para o meu amadurecimento. Eu podia citar algumas aqui, mas vou me concentrar na mais importante: descobri que tenho medo de perder.
Provavelmente já ouviram falar em alguém que é mau perdedor. Pois é, não é esse meu problema. Meu problema é que eu não entro numa luta onde tenho dúvidas. Nunca realmente tentei alguma coisa por instinto. Eu sou um bom perdedor, só não gosto de ser.
Isso veio completar o "você não luta por aquilo que quer" na minha galeria de coisas a mudar, como se um se somasse ao outro. Mas como eu posso mudar isso? Daí é que veio a idéia que deu título a essa postagem.
Aproveitar a invisibilidade.
Não estar em lugar nenhum significa poder arriscar nada, e não ganhar nada. Significa que, o teste final é apenas se eu arrisco ou não, sem essa de erro e acerto, e isso é tudo o que eu preciso agora. Aprender a arriscar algumas coisas que não tenho certeza absoluta se darão certo, coisas que, por si só, não significam nada. Depois chegará a hora de mudar para aquilo que realmente importa, e eu vou lutar por aquilo que eu quero, sem medo de perder.
"Se você não faz nada pra mudar, de que adianta receber crítica?"
Algumas pessoas continuam a me surpreender por sua maturidade.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Os Cavaleiros da Távola Redonda
Tenho estado muito apertado nos estudos nesse último mês do período. Tranquilidade demais nos meses precedentes, de certa forma, me indicaram isso. E mais uma vez, eu me retirei do exílio para estudar um pouco sozinho. Terça-feira de Finados, então, fica sendo meu dia de voltar pra casa e tirar dúvidas.
Mas nessa segunda-feira, ocorreu que recebi um telefonema de um amigo muito querido, da época da escola, e nos reunímos, eu e mais dois, para falarmos do passado. Sentados num bar, seis anos depois, e tentados a perceber o quanto não havíamos mudado tanto assim. A maioria de nós vive na expectativa da mudança, mas talvez não querendo que ela venha.
Na terça-feira eu acordei, e aquele encontro ficou na minha cabeça. Eu me lembrei, por um breve momento, o quanto a minha visão, seis anos atrás, era limitada. Percebi que a grande bifurcação na estrada, que havia mencionado ser há cindo anos, agora está a seis, e eu ainda não a compreendi completamente; talvez porque ainda não compreendi a mim mesmo naquele tempo. Eu sempre fui uma pessoa muito difícil de entender, e isso eu admito.
Mas às vezes dá vontade de fazer tanta coisa, de retomar coisas perdidas das quais sinto tanta falta... Eu sinto falta de um monte de coisa que não vai voltar, mas queria que uma em especial voltasse, uma que o meu Tratado de Tordesilhas, que divide minha vida em duas, já havia me alertado a respeito. Mas aí eu lembro da chuva, fora da marquise onde a gente sentou, lembro daqueles dois caras com quem dividi minha vida por um tempo, e lembro de todas as dificuldades que teria de superar a princípio, e percebo o trabalho que ainda tenho pela frente. Aqui e agora talvez não sejam a hora e o lugar.
Mas aquele dia ficou pra trás e nós voltamos às nossas vidas. Estudar virou minha prioridade por um bom tempo agora, e mais tarde eu devo pensar mais um pouco nisso. Não tenho tanta pressa em aprender. Acho que, afinal, esse sempre foi o meu segredo.
Mas nessa segunda-feira, ocorreu que recebi um telefonema de um amigo muito querido, da época da escola, e nos reunímos, eu e mais dois, para falarmos do passado. Sentados num bar, seis anos depois, e tentados a perceber o quanto não havíamos mudado tanto assim. A maioria de nós vive na expectativa da mudança, mas talvez não querendo que ela venha.
Na terça-feira eu acordei, e aquele encontro ficou na minha cabeça. Eu me lembrei, por um breve momento, o quanto a minha visão, seis anos atrás, era limitada. Percebi que a grande bifurcação na estrada, que havia mencionado ser há cindo anos, agora está a seis, e eu ainda não a compreendi completamente; talvez porque ainda não compreendi a mim mesmo naquele tempo. Eu sempre fui uma pessoa muito difícil de entender, e isso eu admito.
Mas às vezes dá vontade de fazer tanta coisa, de retomar coisas perdidas das quais sinto tanta falta... Eu sinto falta de um monte de coisa que não vai voltar, mas queria que uma em especial voltasse, uma que o meu Tratado de Tordesilhas, que divide minha vida em duas, já havia me alertado a respeito. Mas aí eu lembro da chuva, fora da marquise onde a gente sentou, lembro daqueles dois caras com quem dividi minha vida por um tempo, e lembro de todas as dificuldades que teria de superar a princípio, e percebo o trabalho que ainda tenho pela frente. Aqui e agora talvez não sejam a hora e o lugar.
Mas aquele dia ficou pra trás e nós voltamos às nossas vidas. Estudar virou minha prioridade por um bom tempo agora, e mais tarde eu devo pensar mais um pouco nisso. Não tenho tanta pressa em aprender. Acho que, afinal, esse sempre foi o meu segredo.
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