sábado, 6 de fevereiro de 2010

Um Sábio. Sem Dúvida.

"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome: auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama amor-próprio. Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é simplicidade. Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muito menos vezes. Hoje descobri a humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver!"
Charlie Chaplin

Nessa semana assisti o filme "O Grande Ditador" de 1940, de Charlie Chaplin. Uma forte crítica ao nazismo em plena segunda guerra mundial. Vale à pena. É uma grande obra de um grande gênio.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço."

Já me disseram, há algum tempo, que eu encontro as qualidades das pessoas quando converso com elas, mas basta um olhar e eu encontro todos os defeitos.
Talvez não seja pela forma como as coisas são, mas apenas pela maneira como eu as encaro. Desde pequeno, tudo aquilo que valorizei foi aquilo que as pessoas me diziam, nunca aquilo que faziam, ou como se pareciam. A maioria das pessoas com o qual tive prazer de conversar tinham realmente algo a dizer, e eu tinha realmente algo a aprender com elas. Eu nunca, nunca perdi uma oportunidade sequer de aprender à moda antiga, enquanto um fala e o outro escuta. Só escuta.
Geralmente, não gosto muito do que vejo.
Aconteceu com um jovem que acompanhei durante um tempo. Ele era pouco mais novo, e nós costumávamos conversar às vezes. Ele tinha algo a me ensinar, embora nem mesmo ele soubesse disso. Enfim, com o tempo, nos afastamos, e passei à apenas vê-lo de vez em quando.
Em oitenta por cento do que você diz, você não usa palavras.
Ele havia mudado completamente, estava uma pessoa diferente. Sua aparência tinha melhorado, sua postura e o jeito de se vestir mudaram, e à partir de algum momento, durante a minha ausência, tudo o que ele tinha para ensinar se perdeu. Tudo aquilo que mais admirava nele desapareceu, e só ficaram os defeitos, que eu de longe percebia. Não havia mais nada o que dizer, o que aprender, o que ouvir. Nele nada soava além de uma impecável casca vazia.
Hoje faz pouco mais de um ano que não o vejo. E nesse intervalo de tempo às vezes me pego pensando o que minha presença em sua vida poderia ter feito para evitar tal desgraça, e que mal o aguarda que eu poderia ter evitado. Uma dose de culpa, alguém há de imaginar, às vezes faz bem. Só queria que as pessoas soubessem que elas não precisam ser tudo aquilo que as pessoas esperam que elas sejam: Sua família, seus amigos, seus amores. Ninguém pode agradar a todos. Queria que soubessem que um dia uma alma se perdeu por pensar assim, e ela ainda está perdida. Aos poucos, mergulha para a morte.
Ela se perdeu e está onde eu já não posso encontrá-la.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Momentos de Felicidade

Tenho que admitir que foi uma semana feliz.
Fiz muita coisa além da minha rotina normal, e de certa forma isso contribuiu para que eu não ficasse tão duro, e até tenho dormido melhor. Em momentos como aqueles eu me lembrava muito brevemente daquela menina que um dia saiu para um ônibus, e se perdeu no espaço, mas não no tempo. Me lembro rapidamente de um rapaz que estava careca e me ofertou seus últimos dias me ensinando algumas coisas. Tudo muito brevemente. Enquanto eu estava feliz, esses pensamentos tentavam entrar. Eu olhava para eles, e logo esquecia. O meu entendimento, minhas lembranças e minhas lições não podem conviver com minha felicidade. Não com a felicidade pura e simples. São lembranças tão queridas, mas ao mesmo tempo tão tristes...
E a conclusão cruel é essa. Enquanto eu estiver feliz não posso ser eu mesmo, não posso pensar nas coisas que me fazem único, trazer à minha mente as idéias que geralmente me salvavam.
O que isso significa? Que não se pode esperar nada de mim enquanto estiver feliz, ou seja, minha felicidade acaba sendo, no final das contas, o que me faz fraco. Isso me explicou muita coisa do passado, e me ensinou muita coisa para o futuro.
E da próxima vez que a felicidade que essa semana me apresentou bater à minha porta, eu vou pensar duas vezes nas minhas responsabilidades, para comigo e para com os outros.
Na maioria das vezes vou atender.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Agradecimentos

Gostaria de dizer que finalmente lembrei que, dia 13 deste mês, este blog fez dois anos. E, relembrando a postagem "Direção" de um ano atrás, acredito que nesse tempo a felicidade nos encontrou algumas vezes, em breves momentos. Momentos suficientes.
Enfim, de fato nunca estive tão agradecido de ter começado tudo isso do que agora - começar algo que não se sabe quando deve acabar, que talvez seja eterno, e que não depende de mais ninguém além de você mesmo. Quando se tem uma oportunidade assim?
Hoje vou escrever rápido, porque tenho alguns projetos encaminhados que precisam da minha atenção, e queria agradecer a todos os que acompanham essa guerra e essa paz, essa mistura tão interessante nos meus dias.
A cidadela está novamente de pé, e os muros agora são um pouco mais baixos do que eram. Andei investindo nas armas.
Obrigado.

Nota.: Obrigado pelos acessos, pessoal. Na última semana fui o primeiro site nas pesquisas do Google para "Diários de Guerra e Paz". Valeu!

domingo, 17 de janeiro de 2010

No Centro do Perigo

Hoje é Domingo.
É o dia em que as famílias "invadem" a UFV, e é o dia em que eu verdadeiramente não costumo fazer nada. Também é o dia em que, aparentemente, os preparativos para mais uma formatura vão chegando ao fim. As tendas colocadas no jardim, os enfeites, e logo haverá baile e colação de grau, não necessariamente nessa ordem.
Se eu tivesse feito tudo como deveria, poderia estar me formando agora. Se eu tivesse decidido que faria tudo o mais rápido possível, se tivesse me arriscado mais, eu atravessaria aqueles portões com um diploma, ainda esse mês. E pensando melhor, se eu não tivesse atrasado um ano no meu vestibular, já teria feito isso ano passado. Se eu não tivesse escolhido 2005 como um ano de férias, eu não estaria aqui, olhando esses preparativos sendo feitos não-pra-mim. Tanta coisa passou pela minha cabeça, enquanto passava por aquele pedaço de caminho que tantas vezes eu cruzei com sono, às vezes feliz, às vezes triste, e na maioria delas fazendo aquilo que eu acreditava ser certo, que eu achava que era o melhor pra mim, ainda que não fosse para os outros.
Tanta coisa, entre uma decisão e outra, deixou de aconteceu quando eu achava que deveria, quando, depois que o tempo havia passado, pensei que deveria ter sido diferente.
E foi daí que eu tirei uma importante lição. As coisas realmente só acontecem porque e no momento em que precisam acontecer. O que eu achava que devia acontecer e não aconteceu, então, perdeu seu significado. Eu não sou feito das coisas que não aconteceram, e estou orgulhoso do caminho que eu segui, seja ele bom ou mal.
Já estive no centro do perigo, não tenho mais arrependimentos. Isso é tudo o que importa.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Entre os Tempos

São as primeiras horas do dia 27, e o Sol ainda nem nasceu.
Provavelmente não haverá hora melhor de postar a última notícia do ano. Hoje eu percebi que o mundo é um lugar muito grande, e existem aproximadamente sete milhões de pessoas diferentes vivendo nele. Mas de tantas pessoas, acho que não vou poder mandar cartões de Feliz Ano Novo para nenhuma, afinal, ainda não acredito na importância da mudança de data.
O caso é que alguém me fez um pedido interessante. Um pedido tão interessante que eu considero válido atendê-lo durante um ano todo. Já que eu mesmo não sei como explicar, vou simplesmente transcrevê-lo, exatamente como me foi feito:
"Eu entendo como possivelmente está se sentindo, mas não aprovo.
Eu acredito que você não está se focando naquilo que realmente importa porque talvez esteja desolado pela coisa errada, e isso eu não posso permitir. Talvez você não esteja - como creio que acredite - no fundo do poço. Pessoas no fundo do poço normalmente não podem deixá-lo tão facilmente quanto você pode.
Os últimos seis meses devem ser esquecidos, e nesse caso eu quero que você saiba que pode contar comigo. Mas, o está pensando em fazer agora para deixar isso para trás e voltar a ser a pessoa que eu conheço? O que você vai fazer quando o passado do qual você tem fugido nos últimos três anos finalmente estiver aqui?
Sei que pode pensar em alguma coisa. E eu sei que você não deveria continuar se sentindo assim. Não é certo. Algumas pessoas são totalmente capazes de decidir o que podem fazer, de maneira a superar seus problemas, mas você sempre teve a escolha de fazer diferente: você os ignorou, e isso resultou na falha que você presenciou nos últimos meses.
O que eu proponho a você é parar de fugir da vida que pode ter. Aceite suas responsabilidades com você mesmo, com as pessoas em que confia, e comigo, se possível. Não ouse deixar que a derrota destrua seu espírito, e não me desaponte. Você ainda tem um maravilhoso mundo inteiramente novo à sua frente, e não será uma perda total se você apenas encará-lo com os devidos olhos.
Eu tenho que ir agora, e vou te deixar com seus pensamentos. Quando o próximo ano começar, leia isso denovo. Talvez você encontre nisso alguma coisa pelo qual lutar. E eu com certeza espero que você tenha uma história pra mim nessa hora. Eu nunca deixei de acreditar em você.
Até a próxima vez,"
Esse recado estava na minha caixa de email desde dezembro de 2008, e faz parte de uma coleção de coisas antigas que eu guardo na minha "pilha de ruínas". Tenho que admitir que não fez muito sentido pra 2009, e não adiantou muito. Mas agora eu li denovo - hoje, nessa madrugada - e pensei que seria melhor vivê-lo agora.
Não vou dizer quem escreveu, nem quando me mandou, porque seria quase que uma traição (risos). Mas acho que isso é o que faz de tudo válido. Se eu disesse que foi alguém com um tridente e um par de chifres, e que cheirava a enxofre, ainda assim levariam a sério? Melhor deixar como está.
Bom, pelo menos já sei como aguentar mais um ano, e novamente me recusando a celebrar a importância da data (como fiz ano passado), meu recado continua também o mesmo: "Que amanhã seja um dia melhor que o dia de hoje, sempre. Essa é a fórmula para seguir em frente, sonhar nossos sonhos, e não ligar para falsos fins. Temos tantos pequenos começos verdadeiros pela frente..."

Boas Festas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Se Cães Tivessem Sentimentos

Já me disseram uma vez de um grupo de soldados, que estava se preparando para a guerra.
Parte do treinamento que eles tinham envolvia o trabalho com cães. Porém, havia um problema: só havia, no centro de treinamento, um cachorro. Era um belo animal, e estava devidamente preparado para a atividade nas regiões mais inóspitas onde um soldado deve se engranzar. Então, todos os soldados usavam o mesmo cachorro, e a cada dia de treinamento, um deles ficava responsável pelo animal. A cada dia, um dos soldados aprendia a lidar com cães durante uma batalha real.
Ao final de um mês, todos eles estavam preparados, e todos eles sabiam como usar um cão para ajudar na batalha, caso fosse necessário.
E ocorreu que seu país entrou em guerra. Mas, dessa vez, em um campo de batalha real, cada um tinha um cachorro. As coisas agora seriam mais fáceis, e toda aquela preparação de um mês agora teria um significado mais prático.
Durante a investida, todos os cães começaram a brigar entre si. O barulho alertou as tropas inimigas, e o que se seguiu foi um massacre. Nenhum dos soldados sobreviveu.
É muito fácil treinar para ter um sentimento de cada vez, estar preparado para saber uma coisa de cada vez, e principalmente para perder uma coisa de cada vez. Mas quando acontece tudo e uma vez, nada do que passamos nos dá um abrigo seguro. Mas “uma vez no centro o perigo, os homens não temem mais”. Uma vez que tenhamos experimentado a sensação de que as coisas podem realmente estar perdidas, e no final acabar dividido entre aqui e fugir - só quando se sobrevive a isso, é que a gente pode agüentar de tudo.
Só assim treinamos todos os nossos soldados de uma vez.