sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Transcrição

"Alguém se importaria se o mundo perdesse aquela pessoa detestável?
Você acha que a única verdade que importa é a verdade que pode ser medida. Boas intenções não contam. O que está em seu coração não conta. Ser gentil não conta pra você... A vida do homem não pode ser medida pela quantidade de lágrimas que são derramadas quando ele morre. Só porque você não consegue medi-las, só porque não quer medí-las, não significa que não sejam reais!
E mesmo se eu estiver errado, você ainda é um miserável!
Você acha mesmo que o propósito da sua vida foi de sacrificar-se e não receber nada em troca? Não! Você acredita que não há propósito... para nada. Mesmo as vidas que salva, você repudia. Você transformou a única coisa decente da sua vida numa decadência. Em algo sem significado.
Você é miserável por nada.
Eu não sei porque você quer viver."

Texto final da 2ª temporada de House MD

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Direção

A parte divertida da vida, disseram-me, é que tudo um dia muda.
Hoje faz um ano desde que escrevi a primeira página desses diários. E olha que a postagem nem é uma coisa minha. Na verdade, tudo começou, ao que parece, com uma análise do comportamento humano, quando esses diários ainda eram o "Elias' Legends". Muito tempo se passou e aqui estou eu, tendo quase como obrigação escrever-lhes hoje.
Acho que todo mundo um dia escutou alguém dizer que é importante, às vezes, ler o que escreveu. Agora, a essa altura dos acontecimentos, eu me peguei lendo o que tinha escrito há um ano, e para a minha surpresa, ainda pensava tudo aquilo.
A conclusão a que eu chego não é tão surpreendente: eu não sou nada além do resultado das escolhas que me trouxeram até aqui, mas os motivos que me levaram a tomá-las permanecem os mesmos, somados às experiências das escolhas em si. Nunca, em momento algum, o tempo ou qualquer outra coisa poderá nos roubar o peso do nosso conhecimento, da nossa experiência, das nossas escolhas. Acho inclusive que são as únicas coisas que ninguém jamais poderá nos tirar: isso e a chance de fazer alguma diferença através das nossas atitudes, através daquilo que nos marca como cidadãos de um mundo maior. Podemos ser eternos se aprendermos a realizar, se aprendermos a pegar a direção correta nas encruzilhadas que vêm à frente, baseados no que quer que seja: nosso conhecimento, nossos impulsos, nosso coração talvez. As lições e as possibilidades são infinitas.
A minha guerra não está nem um pouco próxima do fim, mas me divirto nos intervalos de paz em que escrevo, e mais um ano vai começar.
Temos ainda mais um ano para a felicidade nos encontrar...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Câmbio...

Há uns meses atrás eu venho tentando o exercício válido de evitar a desculpa de estar sem tempo. Isso porquê, de maneira estranha, deixei de acreditar nela. Não significa, ao contrário do que possam imaginar, que tenha conseguido evitá-la...
Eu acredito que, de fato, não há tempo para tudo. Mas, mesmo assim, sempre há tempo para alguma coisa. Sempre há... inclusive para as coisas que nós não damos importância. Para aquelas que não são nossa prioridade. E muito embora eu já tenha definido minhas prioridades (risos incompreensíveis), eu ainda encontrarei tempo para o resto, ainda que o resto seja só sentar na grama da UFV e apreciar a paisagem.
Enfim, o que eu proponho, dessa vez, é que a gente tente encontrar tempo para coisas que praticamente não valem à pena para ninguém além de nós mesmos. Sem isso, por incrível que pareça, meus amigos, nós vamos enferrujar como máquinas.
Sei que o dia tem só vinte e quatro horas. Aliás, eu também estou preso a isso, infelizmente (risos compreensíveis). Mas não é uma questão de reprodução do tempo, mas de administração. Vamos lá, eu sei que vocês conseguem!
Enquanto isso, vou saindo porque tenho trabalho a fazer.
Vou tentar salvar alguém, no meio dessa minha guerra, de uma coisa que ninguém sabe que existe.
Até mais.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Começos Verdadeiros para Falsos Fins

Estive, como há muito tempo, andando pelas ruas da minha cidade natal. Como sempre, muito pouca coisa muda hoje em dia sem que eu perceba; sem que de uma forma estranha, eu pense que está tudo de cabeça pra baixo, ainda que tudo esteja na mais perfeita ordem.
É estranho pra mim, talvez, notar uma certa harmonia nos fins de ano. E isso eu digo porque não é a primeira vez que uma cadeia de acontecimentos aparentemente me mostra alguma coisa. Me ensina alguma coisa. Se quem lê esse blog quer um “conselho de Reveillon” (risos), preste muita atenção nas coisas que te acontecem nos últimos dias do ano, e nos primeiros dias do novo ano. Elas quase sempre revelam que tipo de pessoas estarão com você nos meses que se seguirão, e que tipo de pessoas você deixará para trás. Preste atenção nas coisas que acontecem, com você e com as pessoas que você conhece.
Já me disseram que eu tenho a mania de ver sinais em tudo, mas acho uma coisa válida. É melhor do que deixar eles passarem...
Eu não vou ressaltar novamente a importância que têm as pequenas coisas, e tal... e olha que eu mesmo já ignorei muita coisa que não devia ter ignorado. Aliás, no fim de ano eu percebo isso com mais força também.
Absolutamente tudo se acentua nessa época: o que fizemos de errado, o que fizemos certo, o que esquecemos, o que devíamos ter esquecido... tudo.
Reflexões por aqui não iriam faltar... acho que temos a mania de pensar demais no fim, ainda que não seja um fim verdadeiro. Acho que é aqui que eu queria chegar (lol).
Temos a mania de considerar dezembro como o mês da nostalgia. Vemos a retrospectiva na TV e percebemos que estamos, como diria o Pink Floyd, “um dia mais próximos da morte” (música “Time”. Altamente recomendada por esse humilde fã). Essa sensação, além de normal, é altamente estúpida (poderia citar outros exemplos, mas gastaria muito o nosso tempo). Não há, absolutamente, diferença alguma entre a virada do ano e as outras dúzias de meias-noites (acho que o plural é assim) que passamos no decorrer do ano. Umas dormindo, outras acordados, esperando notícias, esperando o sono, esperando saber tudo amanhã na prova, e principalmente, acreditando que amanhã será um dia melhor que o dia de hoje. E é isso que faz com que a única diferença esteja na quantidade de dígitos que mudamos nas datas – agora a mudança mais rara acontece, e um daqueles números jamais voltará a ser escrito... Para a sofrida raça humana, então, há um fim e há então um início. Simbólico como os eclipses.
O que nós não sabemos (leia mil vezes essa frase aí atrás. Ela é estranha e poderosa, uma vez que se for cuidadosamente analisada não faz sentido algum... whatever) é que não existe nenhum fim e nenhum começo que nós não tenhamos escolhido por nós mesmos. Em qualquer período do ano, qualquer, podemos decidir começar denovo, podemos prometer sermos melhores, podemos esperar de amanhã as recompensas pelas sementes que plantamos hoje. Não há mudança no mundo que realmente importe. A mudança que importa acontece conosco, e ela não tem tempo e nem tem hora, é nossa escolha.
Então, eu insisto em abdicar da importância da data, e comemorar com amigos o “dia qualquer” que termina, e o novo que vai começar amanhã. Quando amanhã acabar, e a meia-noite voltar, então será exatamente como hoje, há meia-noite, quando desejo a todos vocês, que acompanham esse blog, que acompanham essa minha guerra e minha paz, e com quem compartilho um pouco das minhas idéias: Que amanhã seja um dia melhor que o dia de hoje, sempre. Essa é a fórmula para seguir em frente, sonhar nossos sonhos, e não ligar para falsos fins. Temos tantos pequenos começos verdadeiros pela frente...

Boa noite.
Cuidem-se.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Eu ri de mim...

As nuvens negras cobrem a cidade onde eu nasci, como que sabendo que o tempo ainda é de guerra. Na verdade, é apenas uma nova batalha que se inicia.
Mesmo assim, já sinto o cheiro da grama molhada que trará a paz. Acho que os últimos generais morrem um a um.
Metáforas à parte, agora eu me reencontro com pessoas há muito tempo perdidas.
Se soubessem quantas pessoas perdi para sempre, e que desejava encontrar agora...
Mas, reiterando, não há nada como ouvir o que elas têm a lhe dizer - pessoas das quais você guarda segredos - e vê-las caindo numa breve ironia. Como quando você sabe o resultado de uma corrida, e vê as pessoas, distraídas, torcendo para o perdedor (com uma fé tão verdadeira!), ou mesmo sofrendo exaustivamente pela vitória daquele que você, e só você, conhece como o dono legítimo do prêmio. É divertido, pra mim, observar essas coisas acontecendo. Mergulhar no doce mel do saber solitário, do rir com ninguém da piada que, mesmo se quisesse, jamais poderia explicar a mais ninguém. É como saber algo humanamente impossível. Ser o portador de um conhecimento apenas fornecido àquele que tenha vivido a sua vida individual, cada segundo dela, objetiva e subjetiva.
Como disse em postagens anteriores, o nosso caráter depende das pessoas das quais nos despedimos. E agora adiciono: "Aquilo que só nós mesmos somos capazes de compreender é o que temos de mais verdadeiro."
Aquele episódio se foi, e eu vou me lembrar pra sempre do que aquela pessoa me disse. E quando o resultado dessa batalha finalmente for conhecido, eu direi a ela que eu já sabia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dois futuros

Ontem encontrei uma velha anotação no meu caderno de Cálculo do primeiro período. Foi em maio de 2006, eu acho, que escrevi:

"Não é estranho? Apesar das vidas que levamos, e dos rumos que tomamos, as ondas continuam a bater numa praia, lá longe de mim.
Eu não deixo de pensar no que aconteceria caso eu simplesmente não tivesse tomado certas decisões, ou como minha vida seria se eu optasse por uma escolha diferente... e, às vezes, me assusto ao pensar que, qualquer dia, alguém vai aparecer e dirá que tomou exatamente o rumo que eu não quis, e me dirá como é. A única coisa com o qual tenho o luxo de aprender é o meu passado - é com aquilo que se foi -, mas não nego a evidência da chance de que eu possa aprender com o meu futuro que nunca existiu! Saber o que eu seria hoje se eu não fosse eu! Um dia, talvez, meu 'futuro alternativo' há de me encontrar, há de me contar o que aconteceria se eu não tivesse escolhido me exilar, ao invés de lutar. Há de me contar o que aconteceria se eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, só para poder lutar pelo que eu amo."

Isso foi escrito, com certeza, nos primeiros seis meses do exílio. E é só assim que eu pude notar o quanto ele me mudou. Do que eu era antes, para o que sou agora.
Passei a ver esse exílio, não como algo ruim, mas algo que tem construído meu caráter desde então, e principalmente, que tem me mostrado que os vencedores são aqueles que não cometem o mesmo erro. Nesses dois anos o meu "futuro alternativo" me encontrou pra me dizer que aquilo que eu amava vai nascer, viver e morrer no único lugar para onde eu não vou voltar. Acho que isso explica muita coisa...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

As Pessoas das Quais nos Despedimos

As coisas aqui parecem ter tomado rumos quase que definitivos.
O sol não é mais o mesmo, as pessoas não são mais as mesmas. Deixamos pra trás o espírito do novo e demos lugar a uma sadia nostalgia. Sentimos saudade do que ainda estamos vivendo... logo, logo, as coisas mudam denovo.
Triste isso... mas do que a despedida, a expectativa.
E feliz também, que de maneira estranha, fizemos tudo aquilo que era necessário para viver - outra fase há de acabar, e uma nova começa - e a vida se tornará um conjunto de imensas despedidas. "Quem nos faz ser o que somos são as pessoas das quais nos despedimos."
De todas as pessoas, as que vejo ao meu lado (direta ou indiretamente), são as que merecem minha dedicação, e quando não houver mais contribuições a dar, às nossas mentes e aos nossos corações (para aqueles que têm um), então será a hora de se despedir bem. E enquanto isso, nada me alegra mais do que viver a mesma vida, melhor à cada dia. A vida lá fora, ao que parece, me chama denovo. E eu estou distante de tudo, ainda.
E enquanto eu não me rendo às discussões sem fim, enquanto eu não me torno parte de um sistema que apenas discute as questôes relativas à vida, sem sequer propor verdadeiras soluções, vou me sentindo cada vez mais despregado desse exílio. Aos poucos, sinto que volto pra casa...